Clássicos de segunda-feira

Desde o seu lançamento, em 1972, já se vão 54 anos, e ele continua sendo um marco na música mundial. A obra de Milton Nascimento, Lô Borges e seus amigos continua impactando e influenciando gerações de pessoas. Tudo neste álbum é permeado de imensa beleza.
Um “carro esportivo” para em frente ao grupo de meninos que estavam reunidos em torno de Bituca, um garoto negro que tocava violão em uma esquina, em frente a um bar, entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro boêmio de Santa Tereza, em Belo Horizonte. Foi mais ou menos assim que Lô Borges disse que surgiu o nome Clube da Esquina.
Seu som inovador consistia em uma fusão de Bossa Nova com elementos de jazz, rock (especialmente dos Beatles), música afro-mineira e influências da música clássica e hispânica.

Suas origens remontam à estreita amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô). A Milton e aos irmãos Borges juntaram-se outros: Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes, o letrista Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Ivaldo Moreira, Lucas Alves e muitos mais, formando um verdadeiro movimento.
Há um “link”, um equilíbrio entre uma faixa e outra. Algumas “enérgicas”, outras de “construção lenta”, o que contribui muito para que o álbum, com cerca de uma hora de duração, se torne um clássico com zero defeitos.
Um parêntese aqui para falarmos da voz de Milton na faixa “Clube da Esquina Nº 2”. Aqui, Bituca utiliza sua voz puramente como mais um instrumento, optando por linhas vocais não verbais que funcionam tanto como introdução para a linha orquestral principal da música quanto como um arranjo complementar durante o final.
Juntamente com a Tropicália, o Clube da Esquina é geralmente considerado o movimento musical brasileiro que alcançou maior repercussão internacional no período pós-Bossa Nova (do final dos anos 1960 ao início dos anos 1970).
O Clube da Esquina é uma conquista monumental de melodias envolventes e arranjos magníficos; uma obra-prima incontestável.
Particularmente, eu nunca ouvi nada que soe verdadeiramente como o Clube da Esquina e, quer saber? Espero nunca ouvir.

Viva esse clássico absoluto que tanto precisamos ter perto de nós.
Gui Freitas




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