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“Diz que gosta de emo nacional mas não conhece Dandara.”

Falar sobre Dandara é contar uma boa parte da história da cena independente carioca.


Em 2001 os amigos de escola Victor Hlebetz, Gustavo Tolhuizen (Guta) e Ricardo Rito se juntaram para montar um projeto paralelo que explorasse um gênero musical diferente de suas atuais bandas - o Slim Box 16 e o Ska la Boca. Havia poucas referências brasileiras para se espelhar como Noção de Nada, Nipshot, Last Fall e o álbum Dear Life… do Hateen, o que fez com que influências gringas como The Get Up Kids, Noise Ratchet e Sunny Day Real Estate prevalecessem sobre os acordes e letras em bom português de Dandara. Com Flavinha Palazzo no baixo, a banda gravou sua primeira demo-tape e outras músicas que jamais acabariam sendo lançadas. Em 2003 André Vieira assumiu o posto de baixista e tornou-se a base sólida da banda que gravaria o full-lenght Nouvelle Vie no ano seguinte, lançado pelo selo Manifesto Discos de Bil Zander.

Após um início promissor, Guta acabou deixando Dandara para se dedicar ao Deluxe Trio junto do próprio Bil Zander e Rafael Crespo (ex-Planet Hemp e Polara). Para seu posto seria convidado Mateus Simões. No entanto, em pouco tempo, há um novo baque: Ricardo Rito absorve também as baquetas do Deluxe Trio e, posteriormente, do Noção de Nada, impossibilitando sua permanência na banda devido a extensa agenda de shows. Entre inúmeros revezamentos de amigos na bateria e um crescente desânimo em buscar novas soluções, Dandara ficou adormecida para que um outro projeto pudesse surgir.


Victor Hlebetz, Mateus Simões e André Vieira se juntaram a Jonas Cáffaro, Pedro Pezinho e Leonardo Melamed para criar o CineDisco, que ganharia boa visibilidade no cenário nacional principalmente por unir brinquedos com circuitos modificados e instrumentos pouco convencionais à canções pop com roupagem alternativa. Foram pelo menos 3 anos de muita dedicação ao projeto, inesquecíveis turnês, muita diversão e dor nas costas.


Porém, a vontade de voltar a criar para Dandara continuava latente. Entre 2007 e 2009 a banda se reuniu em diversas sessões de estúdio para gravar seu segundo full-lenght, agora com um estilo mais definido, mais maduro e com personalidade, altamente influenciado por Sparta, Criteria, Counterfit e By a Thread. Com Ricardo Dias na bateria, a banda compôs a música Onze/20 a tempo de incluí-la na primeira coletânea organizada pelo estúdio Superfuzz e no próprio disco Monocromatica - um título que traduzia bem o estado de espírito dos integrantes. Tratava-se de um período-chave no crescimento pessoal dos músicos, e após a partida de Ricardo e André para os Estados Unidos, Dandara voltou a ficar adormecida.


Os anos que se seguiram foram de pouca atividade e criatividade. Havia uma recusa a assumir que o projeto havia morrido, e seus integrantes remanescentes pareciam apenas vagar sem muito rumo carregando Dandara nos ombros, cansada, sem brilho e sem vigor. Até que em 2017, impulsionada pelo retorno de André Vieira ao Brasil e a entrada de Ricardo Melo (Bola) na bateria, a banda volta ao estúdio com o produtor Alan Lopes para gravar o EP “O Tão Pouco Tudo Que Fizemos”, um título que resume bem o imenso esforço feito por todos os integrantes ao longo dos anos para registrar relativamente tão poucas canções.


A vida, que nunca havia sido simples para Dandara, continuou não sendo simples para Dandara. Por conta dos compromissos com o menores atos, Ricardo se muda para São Paulo. André parte desta vez para Lisboa, onde reside até hoje.


Apesar da distância e dos percalços, todos os integrantes e ex-integrantes parecem de alguma forma contribuir para que Dandara não morra sufocada. Mais do que uma banda, Dandara tornou-se uma ideia, um ente que se quer vivo, uma força necessária. Ninguém consegue - como nunca conseguiu - enterrar Dandara. E por isso, 25 anos depois de seu nascimento, ela volta a pulsar.


Com Rodrigo Corrêa na bateria e Carlos Eduardo no baixo, a banda desperta uma vez mais com a promessa de um novo full-lenght para 2027 e a expectativa de rever antigos fãs e amigos da cena alternativa nacional.


Os caras estão de volta pra abrirem show do Sparta na Casa da Glória no Rio de Janeiro.



 
 
 

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©2020 por Troque o Disco. Gui Freitas

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