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Então, Será que o rock acabou?

8 de set.
4 min de leitura

Então, Será que o rock acabou?


A cada edição do Rock in Rio, surge o eterno burburinho sobre a ausência de artistas de rock.

Dessa vez, a discussão ganhou ainda mais força com o fim da categoria dedicada ao rock no MTV Video Music Awards.


Resolvi então olhar para as estatísticas.

Três décadas de música conferidas no top da billboard. E, basicamente, não há rock entre os artistas mais ouvidos do mundo.


Há algumas exceções, claro. O Green Day conseguiu furar essa bolha, graças ao fenômeno de American Idiot. Fora isso, precisamos recorrer a nomes como Coldplay e Maroon 5, bandas que, pessoalmente, não considero propriamente rock.


E daí?, vem a pergunta.


E daí que o rock não deve ser mensurado apenas por estatísticas.


Porque, se formos usar somente os números, chegaremos a uma conclusão inevitável: o rock deixou de ser relevante.


Mas erramos ao definir a força do rock através de números.


O Nirvana é um ótimo exemplo. Nevermind explodiu no início dos anos 1990 e transformou o grunge em um fenômeno cultural. Smells Like Teen Spirit, chegou ao sexto lugar da Billboard Hot 100 em 1992 mas apenas por um mês. E só.


Mas pense na influência social da Banda.

Quantos milhões de pessoas passaram a usar camisa xadrez e calça rasgada por causa de Kurt Cobain?


Quantas pessoas passaram a tocar guitarra, montar bandas, pintar o cabelo, mudar sua maneira de se vestir ou simplesmente enxergar o mundo de outra forma?


Outro exemplo? o Oasis.


Wonderwall chegou ao oitavo lugar da Billboard Hot 100 e ao segundo no Reino Unido. Mas o impacto da banda vai muito além das paradas.

Até hoje, Oasis influencia comportamento, moda e estilo de vida: os cortes de cabelo, as roupas, a cultura dos pubs, a relação entre futebol, cerveja e música. Wonderwall virou um ritual coletivo e continua sendo cantada em pubs, festas, estádios e rodas de violão por gente que nasceu muito depois de seu lançamento.


Os próprios criadores do indie, The Strokes, jamais precisou dominar os grandes rankings mundiais para provocar uma revolução estética. O jeans skinny, as jaquetas, os cabelos, a atitude e toda aquela estética indie rock dos anos 2000 se espalharam muito além das pessoas que efetivamente ouviam a banda.

É aí que está o nosso erro.


Nós insistimos em tratar o rock apenas como um gênero musical.


O rock é muito mais do que isso.

É um movimento cultural. Uma atitude. Uma linguagem.


O rock influencia outros gêneros, mesmo quando deixa de aparecer no topo das paradas. Está nas guitarras, nas estruturas das músicas, na atitude dos artistas, na moda, nos videoclipes, no cinema, nas séries e na publicidade.


Está na maneira como determinados artistas se posicionam.

Está na rebeldia.


Na vontade de quebrar padrões.

Está na ideia de que você não precisa necessariamente aceitar aquilo que já está estabelecido.


E é justamente por isso que podemos encontrar rock onde, aparentemente, não existe rock.

Da Taylor Swift ao The Weeknd. Da Olivia Rodrigo ao Post Malone.


Artistas que não precisam ser classificados como rock para carregarem elementos da sua estética, da sua atitude, da sua sonoridade ou da sua forma de ocupar a cultura pop.


O rock deixou de ser o centro da cultura pop como música.

Isso é fato.


Mas isso é muito diferente de ter desaparecido.

O rock pode deixar de ocupar o primeiro lugar das paradas sem deixar de influenciar quem está ocupando esse lugar.

Pode deixar de vender milhões de discos e continuar formando bandas, inspirando artistas, criando tendências e dando voz a uma geração.


Pode até desaparecer de determinadas premiações.

Mas não desaparece da cultura.

Gêneros saem de moda. Movimentos culturais deixam marcas.

E a marca deixada pelo rock é grande demais para desaparecer.


O rock não morreu.

Apenas deixou de aparecer no topo das paradas.

O problema é que, quando você olha com atenção, descobre que ele continua por toda parte.


Fonte: billboard hot 100


Top 1995


Gangsta's Paradise - Coolio com L.V.

Waterfalls - TLC

Creep - TLC

Kiss from a Rose - Seal

On Bended Knee - Boyz II Men

Another Night - Real McCoy

Fantasy - Mariah Carey

Take a Bow - Madonna

Don't Take It Personal (Just One of Dem Days) - Monica


Top 2005


We Belong Together — Mariah Carey

Hollaback Girl — Gwen Stefani

Let Me Love You — Mario

Since U Been Gone — Kelly Clarkson

1, 2 Step — Ciara feat. Missy Elliott

Gold Digger — Kanye West feat. Jamie Foxx

Boulevard of Broken Dreams — Green Day

Candy Shop — 50 Cent feat. Olivia

Don’t Cha — Pussycat Dolls feat. Busta Rhymes

Behind These Hazel Eyes — Kelly ClarksoR


Top 2015


Uptown Funk - Mark Ronson com Bruno Mars

Thinking Out Loud - Ed Sheeran

See You Again - Wiz Khalifa com Charlie Puth

Trap Queen - Fetty Wap

Sugar - Maroon 5

Shut Up and Dance - Walk the Moon

Blank Space - Taylor Swift

Watch Me (Whip/Nae Nae) - Silentó

Earned It - The Weeknd

The Hills - The Weeknd


Top 2025


Die with a Smile - Lady Gaga e Bruno Mars

Luther - Kendrick Lamar e SZA

A Bar Song (Tipsy) - Shaboozey

Lose Control - Teddy Swims

Birds of a Feather - Billie Eilish

Beautiful Things - Benson Boone

Ordinary - Alex Warren

I Had Some Help - Post Malone com Morgan Wallen

APT. - Rosé e Bruno Mars

Pink Pony Club - Chappell Roan


-Por Conrado Muylaert

 
 
 

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