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II EPISÓDIO: CLÁSSICOS DE SEGUNDA-FEIRA

há 22 horas
2 min de leitura

Vai ser pé na porta todas as segundas-feiras. Se, na semana passada, trouxemos Revolver, dos Beatles, hoje é dia de Exile on Main St., um dos maiores álbuns dos Rolling Stones de todos os tempos.


Lançado em 1972, o álbum é celebrado por sua musicalidade peculiar, produção um tanto caótica e energia de estrela do rock, com direito a sons de festa acontecendo ao fundo em algumas faixas.


“É um ambiente de rock’n’roll”


“Mas esse era o estilo de vida da época. Era apenas outra forma de viver. Hoje em dia, há muito mais gente com muitos seguidores do que jamais tivemos. Havia muitas drogas, bebidas e muita farra. Mas, sabe, não é uma fábrica. Não é uma indústria no norte da Inglaterra. É um ambiente de rock’n’roll”, disse Mick Jagger à época.


O grupo levou três anos para concluir a gravação de Exile on Main St., em um processo longo, porém recompensador. Grande parte do álbum foi gravada no lendário estúdio móvel da banda, responsável também por registros como Who’s Next, do The Who, Smoke on the Water, do Deep Purple, e quatro álbuns do Led Zeppelin.


Como muitos sabem, o disco foi gravado principalmente em Nellcôte, a casa alugada de Keith Richards em Villefranche-sur-Mer, na França. Na época, a banda havia sido forçada a deixar o Reino Unido por questões fiscais. No início da década de 1970, os Stones estavam praticamente falidos, e permanecer no país significaria pagar impostos exorbitantes.


Eles se aproveitaram de uma brecha na legislação britânica: passando a maior parte do ano fiscal no exterior, não precisavam pagar imposto de renda no Reino Unido. A maioria dos integrantes da banda se estabeleceu perto de Nice, com exceção de Mick Jagger, que passou grande parte do tempo em Paris.


A gravação do novo álbum tinha como objetivo ajudar a recuperar os fundos esgotados. Mas o cenário era de pura loucura: os caras viviam jogando em cassinos franceses, passeando por Saint-Tropez em iates e consumindo uma quantidade constante de drogas levadas por traficantes até Nellcôte.

O som de Exile on Main St. está a anos-luz das produções tecnológicas dos anos 1970. Não é calculado nem excessivamente orquestrado. É simplesmente o resultado de gravações próximas, precárias e muitas vezes caóticas, feitas nos cômodos, na cozinha e no porão da casa de Richards.


É inútil citar ou comentar todas as 18 faixas deste clássico. Elas permanecem ali, inalteradas desde aquele distante 1972, para testemunhar e demonstrar o domínio musical que os Rolling Stones possuíam naquela época e para nos lembrar, a cada audição atenta, do que realmente significava produzir um álbum de rock’n’roll concebido na estrada, quando todos os sonhos haviam desaparecido e a inquietação reinava suprema.


Um álbum caloroso, denso, cru, anárquico e incontrolável!


Até a próxima segunda-feira, com mais um clássico.

 
 
 

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©2020 por Troque o Disco. Gui Freitas

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