The Strokes: Reality Awaits
- Troque o Disco

- há 1 dia
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Certa vez ouvi o Bono dizer que só se sabe se uma música é realmente boa depois da terceira audição.
Como era de se esperar, os imediatistas se dividiram entre elogios e críticas pesadas. A NME manteve o entusiasmo de sempre quando o assunto é The Strokes (e The Libertines), então confesso que já leio com um pé atrás. A Rolling Stone foi mais contida, com uma nota 3,5, mencionando as desigualdades sonoras do álbum.
Por aqui, já vi até briga entre fãs nos Threads… Mas uma coisa parece consenso: o disco é estranho.

Vocês ouviram? O que acharam?
Da minha parte, já ouvi o álbum várias vezes desde o lançamento . E ele me fez lembrar de uma resposta do Julian Casablancas, na época em que os fãs pediam a volta do The Strokes enquanto ele se dedicava ao The Voidz. Ele respondeu algo como: “Eu sei o que vocês querem, mas não vou dar.”
Na minha interpretação, aquele lado mais estranho, experimental e cheio de ruídos e autotune, bem à la The Voidz, é o que realmente empolga o Julian. Mas, desta vez, ele e a banda encontraram um equilíbrio interessante: entregam aos fãs canções com a marca The Strokes como Lonely in the Future, Going to Babble On e Going Shopping, enquanto reservam o restante do disco para as experimentações que claramente os atraem. Dina N’Dash fica ali no meio do caminho e tem conseguido destaque entre os fãs. Inclusive já sendo tocada nos shows.
Quem acompanha os caras já se acostumou a esperar algo assim.
Há mais de uma década eles vêm dando sinais de que esse seria o caminho. O problema é que, no álbum anterior, fizeram justamente o oposto: deixaram a estranheza de lado, voltaram às origens e nos entregaram The New Abnormal, que, para mim, é um dos grandes discos de indie rock deste século.
E ainda conseguiram um feito raríssimo: colocar uma música recém-lançada no topo das mais ouvidas da carreira. Que façanha! The Adults Are Talking ultrapassou até Last Nite. Nem gigantes do pop costumam conseguir que um lançamento supere seus maiores clássicos.
É justamente isso que mexe com a gente que acompanha a banda desde o começo. Eles sabem exatamente o que queremos ouvir. Mais do que isso: provaram que ainda conseguem fazer isso brilhantemente, talvez até melhor do que antes. Mas, por escolha artística, preferem seguir por um caminho menos previsível.
Se eu tivesse que escolher os potenciais “hits” do disco, apostaria em Going to Babble On e Lonely in the Future, além do primeiro single going to shopping, que recebeu atenção especial da banda com clipe.
Quanto ao resto… vou seguir ouvindo. Se o Bono estiver certo, talvez ainda tenha muita coisa para descobrir.
Por: Conrado Muylaert



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