top of page

Dia Internacional do Jazz’ (30) evidencia cena musical afrodiaspórica e ganha força na mistura da Bossa Nova, afrobeats e R&B

Popularizada ao sul dos Estados Unidos pela comunidade afro-americana em Louisiana, não demorou para o ‘berço do Jazz’ expandir as fronteiras para além de New Orleans e chegar ao Brasil. Com a aproximação do Dia Internacional do Jazz, celebrado na próxima quinta-feira, 30 de abril, o gênero musical que sofreu fortes influências do blues e swing hoje conquista 19% da audiência nacional na música, segundo dados da Statista.  

“Unir pessoas em todos os cantos do mundo” através da música é a proposta do Dia Internacional do Jazz, oficializado em novembro de 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A celebração, que acontece há quase duas décadas e une diversos povos ao som do piano, do sax e do contrabaixo, é uma proposta assinada pelo Diretor-Geral da UNESCO, pianista e compositor de jazz Herbie Hancock


As canções, que tomavam conta dos bares nas décadas de 60, 70 e 80, através do lirismo de Louis Armstrong, em ‘What a Wonderful World’ (1967); o instrumental do The Dave Brubeck Quartet, em ‘Take Five’ (1959); e o romance de Nat King Cole, em ‘L-O-V-E’ (1965), hoje exploram novos ritmos introduzidos pelas demais culturas, mesmo longe da sua ‘terra natal’.


A fusão do gênero afroamericanizado com a mistura da bossa nova, R&B e hip-hop, por exemplo, marcou novas gerações de fãs e artistas. Se no cenário internacional, indiscutivelmente, Frank Sinatra pincelava o jazz através dos versos do hit ‘New York, New York’ (1980), no Brasil, a ode ao jazz traz a mistura com o ‘rock and roll’ progressivo em bandas como A Cor do Som, passando pela raíz afrodiaspórica da cena original, com a orquestra afropercussiva Aguidavi do Jêje


Jazz é a mais pura e sincera expressão da música. Nesses tempos de inteligência artificial e de milhares de músicas subindo para as plataformas digitais, a relevância do Jazz, de músicos de verdade tocando com sentimento, se torna ainda mais necessária”, afirma o pianista, compositor e integrante da banda A Cor do Som,  Mú Carvalho


E não para por aí. O fenômeno do ‘abrasileiramento’ do jazz incorporou novas sonoridades, desta vez, misturando elementos característicos como o ‘sax’ e o baixo às cordas do chorinho para uma experiência singular artística. Não é à toa que, em diferentes regiões do país, o jazz incorporou ainda mais às origens do continente mãe, através do vencedor do ‘Prêmio Paul Acket’ (2026), Amaro Freitas

Em meio à introdução do Dia do Jazz em escolas, comunidades e centros culturais, como artífice histórico da produção afrodiaspórica na música, celebrar a data tornou o movimento mais próximo da promoção da paz e o diálogo entre culturas, segundo a ata da UNESCO com o Instituto Herbie Hancock de Jazz


Reunir os nomes da cena do jazz artístico é uma das maneiras de fomentar o molde artístico, cultural e histórico das produções nacionais e internacionais ao longo dos anos. Nesse contexto, os festivais assumiram o papel de articular bandas e artistas famosos para resgatar as origens do gênero, como o Festival Internacional de Jazz de Montreal (Canadá), o Montreux Jazz Festival (Suíça) e o New Orleans Jazz & Heritage Festival (EUA). 


No Brasil, a cena encontrou força com o ‘Festival Salvador Jazz’ – principal nome da temporada de jazz no país, que promete reunir em 2026 cerca de 15 mil pessoas nas ruas, ao longo de dois dias de apresentações.


‘Festival Salvador Jazz’: a identidade para descolonizar o jazz na Bahia


Consolidado como um dos mais relevantes festivais regionais do Brasil, dedicado à celebração da música instrumental, jazz e as sonoridades contemporâneas, a grade do ‘Festival Salvador Jazz’, ao longo dos anos, recebeu nomes consagrados como a Orkestra Rumpilezz; Mayra Andrade; Luedji Luna; Bixiga 70; Spok Frevo; Pradarrum; Marcos Suzano e Jonathan Ferr, entre outros, imersos no intercâmbio cultural e na formação de comunidades.


Realizado há 6 anos na capital baiana, o ‘Festival Salvador Jazz’ amplia o conceito do gênero e explora os diálogos com outras linguagens musicais, como o R&B, soul, afrobeat, MPB e ritmos africanos. Promovendo a experiência sonora conectada com as raízes afro-brasileiras, a curadoria assinada pela produtora cultural Fernanda Bezerra e pelo pesquisador, historiador e músico, Fabrício Mota, traz a essência da identidade musical da Bahia para o palco. Diante do estado mais negro do país, a grade do festival, em Salvador, é ocupada 70% por artistas negros, além de 50% assinada pelo público feminino neste ano. 


“No Salvador Jazz, trabalhamos com um conceito ampliado de Jazz, valorizando sua pluralidade e diálogos com outros gêneros musicais. Nosso objetivo é apresentar ao público uma programação que transita entre o jazz tradicional, a música instrumental brasileira, o afro-jazz e novas sonoridades contemporâneas, reforçando Salvador como um polo criativo e aberto à diversidade musical”, assinam os curadores Fernanda Bezerra e Fabrício Mota.


Caminhando para a sua sétima edição, o evento em 2026 prevê mais de 15 mil pessoas reunidas em torno do Largo da Mariquita, no Rio Vermelho, conectando-se com um dos principais polos do gênero musical, o Chicago Jazz Festival – que vai tomar conta da outra extremidade das Américas.  

Line-up do ‘Festival Salvador Jazz’: Sandra Sá, Amaro Freitas e mais! 


Nos dias 30 e 31 de maio, o Largo da Mariquita vai somar à boêmia tradicional de Salvador ao ritmo do jazz, do R&B e de sonoridades afrodiaspóricas, com a nova edição do ‘Festival Salvador Jazz’. Dentro da grade, nomes como Sandra Sá, A Cor do Som, Amaro Freitas e Aguidavi do Jêje estão entre os artistas confirmados para agitar noites de música ao vivo e identidade negra ao som de jazz. 

O Festival Salvador Jazz – 7ª edição é apresentado pelo Ministério da Cultura e pelo Banco do Nordeste, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com produção da Maré Produções Culturais e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal – Do

Lado do Povo Brasileiro. Onde tem patrocínio do Banco do Nordeste, tem Governo do Brasil.


FONTE: AGÊNCIA CRIATIVOS

 
 
 

Comentários


©2020 por Troque o Disco. Gui Freitas

bottom of page