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O ÚLTIMO ROCK DA PLAYMOBOYS

há 11 minutos
3 min de leitura

Poucas bandas têm o privilégio de encerrar um ciclo olhando para trás com a sensação de missão cumprida. O nono álbum da Playmoboys.“O Melhor Que Eu Pude Fazer", nasce exatamente desse lugar: não como uma despedida, mas como a conclusão de uma história que atravessou duas décadas de estrada, palcos, discos, turnês, conquistas e, principalmente, superação.



O título do álbum resume um sentimento muito pessoal de seu compositor. Conrado Muylaert.

Depois de um longo período tratando uma lesão nas cordas vocais, gravar este disco tornou-se um desafio diário. Foi preciso reaprender a cantar, adaptar tons, reconstruir arranjos e respeitar novos limites. Cada faixa representa uma pequena vitória sobre um processo que parecia, por vezes, impossível. Mais do que um álbum. "O Melhor Que Eu Pude Fazer" é o registro de um de um recomeço.


O MELHOR QUE EU PUDE FAZER


A faixa de abertura, que dá nome ao disco. apresenta outra camada dessa ideia. Em vez de falar sobre a recuperação da voz, a música propõe um exercicio de autoperdão. É uma reflexão sobre os erros do passado, sobre tudo aquilo que insistia em machucar quando lembrado, até perceber que, em cada momento da vida, fizemos o melhor que podíamos fazer com a maturidade e as ferramentas que tinhamos. Embalada por guitarras pulsantes e uma energia típica do indie rock da banda, a canção transforma culpa em aceitação e segue adiante olhando para o futuro.

Ao longo de suas 14 faixas, o álbum revisita memórias que ajudaram a construir a identidade da Playmoboys. As influências passeiam pelo grunge, punk, emo e indie rock, estilos que marcaram a adolescência e a formação musical da banda.


O ÁLBUM


Em "Sonhos de Infância", a banda fala sobre a importância de preservar o brilho nos olhos mesmo depois da vida adulta chegar. Já Ouvindo Punk" mergulha na nostalgia dos corredores da escola. quando Nirvana. Green Day e tantas outras bandas embalavam rodas de violão durante os intervalos das aulas.


Outro destaque é "Circo dos Horrores", uma crítica à superficialidade das relações em tempos de aparências e validação constante. Em contraste, "Um Bar, Um Shot, Um Começo", gravada antes do problema vocal de Conrado, registra os rolês do seu grupo de amigos, das aventuras e dos encontros que acabam se transformando em lembranças permanentes.


O disco ainda reserva espaço para uma surpresa. "Pra Te Fazer Feliz" foi composta em outra fase da Playmoboys, por volta de 2010, mas permaneceu inédita durante anos. A redescoberta da música por um fã motivou a banda a finalmente registrá-la em estúdio, permitindo que ela encontrasse, enfim.

seu lugar dentro da discografia do grupo.


Todas as canções do álbum foram compostas por Conrado Muylaert, reunindo experiências vividas ao longo das últimas décadas com a Playmoboys. São histórias sobre amadurecimento, amizades. perdas, esperança e transformação. Um retrato sincero de quem cresceu junto com a banda. "Me confundo com a Playmoboys... é meu sonho de infância", diz Conrado.


UM FIM, OU TANTO FAZ


Formada por dois amigos de escola para gravar suas músicas autorais, a Playmoboys construiu uma trajetória rara dentro do rock independente brasileiro. Desde o álbum de estreia, lançado em 2005 e produzido por Marcelo Sussekind e Vinicius Rosa, a banda conquistou espaço nacional com músicas em trilhas de novelas e séries, vitórias no Garagem do Faustão, presença constante em MTV, Multishow e Canal Bis, além de turnês pelo Brasil e pela Europa. Dividiu palco com os ingleses The Libertines, acumulou cerca de 3 milhões de streams, dez álbuns lançados e consolidou uma base de fãs que acompanha sua história desde o início.


Depois de mais de vinte anos explorando guitarras altas, refrões intensos e vocais rasgados, "O Melhor Que Eu Pude Fazer" representa o encerramento desse capítulo. Não é o fim da Playmoboys, nem o fim da música de Conrado Muylaert. É apenas o último álbum em que a banda se permite gritar como sempre gritou.


Daqui para frente, novos caminhos virão. Novas sonoridades. Novas formas de cantar.

Mas este disco guarda o último grande grito de uma história que fez do rock sua linguagem durante mais de duas décadas.

E talvez esse seja, de fato, o melhor que a Playmoboys pôde fazer.


 
 
 

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©2020 por Troque o Disco. Gui Freitas

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