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Hoje é dia de Nation of Language




Eu não deixo passar uma dica de quem vejo que tem um amor diferente pela música. Não conhecia a banda e foi amor à primeira vista. Um som que bebe da fonte de bandas de grande estima pra mim, como Joy Division, New Order e, até certo ponto, U2.


De lá pra cá, não paro de ouvir os discos da banda e hoje queria aproveitar pra falar um pouco sobre “Strange Disciple”, lançado em 2023.


Pra começo de conversa, Nation of Language é formado por Ian Richard Devaney (vocal principal, guitarra, sintetizador e percussão), Aidan Noell (sintetizador e vocais de apoio) e Alex MacKay (baixo). O que me chama atenção na é o ótimo nível dos timbres e a qualidade de suas gravações.


Esse disco nasceu após a pandemia, quase no mesmo período da TOD, e, como já dito acima, ficam claras as raízes dos americanos nos anos 80 e até mesmo antes. O álbum é um campo minado emocional movido a sintetizadores.


A dinâmica de serem casados e também estarem em uma banda oferece uma camada de simbiose e apoio inabalável entre Devaney e Noell, algo que se reflete diretamente em sua parceria criativa. Isso dá ao catálogo do Nation of Language uma vida expandida, e Devaney adora ver Noell se adaptar a tudo o que lhe é apresentado.


“Ela toca duas coisas diferentes em dois sintetizadores ao mesmo tempo, e eu penso: ‘Isso é difícil, eu não sou bom nisso’. E eu toco piano desde os seis anos de idade o que, na verdade, eu provavelmente deveria fazer melhor”, explica Devaney. “Isso talvez diga mais sobre mim, mas ver alguém passar de não tocar nenhum instrumento para tocar dois teclados diferentes ao mesmo tempo é tão emocionante e faz você se sentir orgulhoso e inspirado, no sentido de que exige um nível de dedicação que, eu acho, nem todo mundo tem. Sentir que alguém se dedica tanto às músicas bobas que você está fazendo é surreal.”


O trio criou um disco que transcende a nostalgia retrô. Um espaço semelhante é dedicado a cada emoção, mas, crucialmente, há uma clara valorização dos equipamentos analógicos.


Falando um pouco sobre as canções, “Sole Obsession” faz referência àqueles que trocam o estresse induzido pelas notícias por uma devoção cega. Esse senso de fé pode assumir uma dimensão romântica, como na faixa de abertura, “Weak In Your Light”, mas parece ser uma representação temática de algo muito maior.


Não importa qual seja o alvo da obsessão. É o fato de podermos nos perder completamente nela que intriga o Nation of Language.


A voz de Devaney é cativante do início ao fim. Não chega a ser angelical, mas é permeada por uma melancolia quase devastadora, especialmente em “Weak In Your Light”. Os vocais nunca são abafados pela introdução de guitarras elétricas ou teclados, e cada linha de sintetizador e groove parece ter sido colocada intencionalmente.


Apesar dos lampejos de shoegaze e krautrock que permeiam o disco, ele nunca se torna excessivamente complexo.


Eu vou mais a fundo nessa banda e quero muito assisti-los no festival. Com toda certeza, quero voltar aqui pra falar mais sobre eles.


E que possamos ter cada vez mais pessoas apaixonadas por música nesse canal.


-Gui Feeitas

 
 
 

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©2020 por Troque o Disco. Gui Freitas

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