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Venha conhecer o Valentim Frateschi e seu disco

Álbum de estreia do compositor, produtor e arranjador paulistano cruza MPB, jazz e experimentação, revelando uma nova voz da cena musical brasileira.


O paulistano Valentim Frateschi, reuniu nove faixas criadas ao longo de um período de cinco anos, o disco carrega um forte sentido de continuidade e passagem. Como o próprio artista define, o título faz alusão ao “estreito como um lugar entre dois lugares” – metáfora que encapsula não apenas o conceito do álbum, mas também um momento existencial: a trajetória sonora para se chegar até o presente. 

As faixas de ESTREITO foram compostas entre 2019 e 2022, em voz e violão, em diferentes momentos e estados de passagem. Canções como Pássaro Cinza, Corpo Colado, Estreito e Mau Contato surgiram de forma fragmentada, acompanhadas por ideias iniciais de arranjo que amadureceram ao longo do tempo. Falando Nisso, um feat com Nina Maia, foi a primeira a ser gravada e já foi, inclusive, lançada como single – ainda fora do contexto de um álbum. Em 2023, após o lançamento de Falando Nisso, o repertório ganhou corpo. Das sessões de gravação emergiram também as vinhetas flnd, novo espaço, e Colado, esta última que se desdobrou a partir de Corpo Colado.


Gravado principalmente no Estúdio Mameloki, em São Paulo, entre julho de 2023 e agosto de 2024, o álbum teve suas bases — guitarra, baixo e bateria — registradas ao vivo em uma única semana. Essas gravações formaram a espinha dorsal do disco, sustentando as texturas e arranjos adicionados em camadas ao longo dos meses seguintes. Elementos adicionais foram captados na casa do artista, enquanto o vibrafone e o glockenspiel foram gravados no Departamento de Música da UNICAMP.


O disco transita entre o experimental e a canção popular brasileira. Na composição, Valentim cita como influências diretas nomes como Vovô Bebê, Maurício Pereira e Ana Frango Elétrico. Já na sonoridade, ele aponta a mistura de referências: vejo o disco como um cruzamento entre João Donato, Jards Macalé e Arthur Verocai com Crumb, BADBADNOTGOOD e Yellow Days”.

Com participações de Nina Maia e Sophia Chablau, duas artistas com quem Valentim Frateschi mantém vínculos desde a infância, as interpretações foram pensadas a partir das características de cada faixa e da relação musical construída ao longo do tempo. Em Falando Nisso, Nina contribui com vocais que partiram de uma versão caseira gravada durante a pandemia, os quais, de acordo com o artista,  “pareciam que já estavam lá desde o começo”. Já em Mau Contato, Sophia divide a voz principal com Valentim, além de ter criado uma melodia de voz que se transformou num grito distorcido no final da faixa — “acho que é a parte mais roqueira do disco”, comenta Valentim.


Faixa a faixa


Estreito é o single que abre o disco e dá seu nome. A faixa se aproxima da intimidade do ouvinte de forma delicada, acompanhada pela sutileza de cordas, coro e pequenas percussões, dando pistas do que virá no decorrer do álbum.



Pássaro Cinza aproveita o gancho leve e lúdico deixado por Estreito, mas com um groove marcado traz mais movimento ao álbum. A composição é inspirada em uma foto tirada por Valentim na casa de seu avô – o que mostra a importância das imagens na criação de suas letras. Linhas de sopros que se equilibram entre costuras melódicas e ataques rítmicos dão fôlego para uma base repetitiva e dialogam com a melodia da voz. Algumas pitadas de jazz e um groove enérgico no final da música dão pra essa faixa alguns dos momentos mais solares do álbum.


Mau Contato (feat. Sophia Chablau) é uma "canção de amor dissonante” sobre a desilusão amorosa ainda não aceita. Sua densidade é construída por um groove lento e ruídos, enquanto a interpretação sutil das vozes adiciona um ar debochado.


flnd é vinheta para "Falando Nisso", composta por elementos sampleados de outras faixas do álbum e uma linha de baixo que cita a faixa seguinte.


Falando Nisso, com participação de Nina Maia, fala sobre não querer parabenizar alguém em seu aniversário. Oriunda de uma reflexão sobre a vida, inspirada no dia em que o artista tomou sua primeira dose da vacina de Covid-19, ela simboliza a transição entre o mundo pandêmico e sua abertura. Com influências de João Donato e Marcos Valle, tem um arranjo simples e groovado que ilumina a segunda metade do disco.


Corpo Colado, descrita por Valentim como um "jazz progressivo", é a faixa que mais se distancia das outras em forma. Segundo o artista, ela representa o ápice do arranjo com camadas que reúnem todos os instrumentos presentes no disco.


Colado é a parte final de Corpo Colado, uma base jazzística e swingada com improvisos inspirados de Antonio Neves (trombone), Eduardo Santana (trompete) e Amanda Camargo (sintetizador).


novo espaço é a segunda vinheta do disco e condução para Lokotário. A frase "queria tanto um novo espaço" dialoga com o conceito do álbum, marcando a chegada ao fim do "estreito". A faixa é Influenciada pelo álbum "The Remixes Álbum vol. 1" de Marcos Valle.


Lokotário transforma a sensação de enclausuramento em algo lúdico e dançante. Com groove swingado e ataques de metais, encerra o disco em alto astral.


SOBRE VALENTIM FRATESCHI


Valentim Frateschi, 21, é baixista, compositor e produtor musical na banda Os Fonsecas, além de colaborar em diversos projetos. Natural da capital paulista, lançou seu primeiro single Falando Nisso em 2023. A faixa – que conta com participação de Nina Maia – é uma canção que traz uma sonoridade fortemente inspirada por clássicos da MPB como João Donato e Rita Lee, com influências de Maurício Pereira e Ana Frango Elétrico na estrutura e produção. Agora ele lança seu álbum de estreia, Estreito.


Valentim começou a estudar música e compor ainda na infância. No ensino médio, aos 16 anos, gravou o EP “Fundo da Meia” com Os Fonsecas – com quem também lançou o disco “Estranho pra Vizinha”. Além de marcar uma primeira experiência no estúdio, o trabalho foi o início da parceria com a Seloki Records, selo com o qual vai lançar seu disco de estreia.


Durante a pandemia, dedicou-se à composição e ao estudo intensivo de instrumentos (contrabaixo, violão, guitarra e teclado). Com essa bagagem, produziu “Falando Nisso” e passou a atuar profissionalmente como produtor e músico – priorizando sempre projetos autorais, como Maria Esmeralda, Nina Maia, Agnes Nunes, Francisca Barreto, MONCHMONCH, entre outros.

 
 
 

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©2020 por Troque o Disco. Gui Freitas

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